domingo, 22 de março de 2009

Fuel for Hatred

Sua Santidade o Papa Bento XVI toma assento no seu trono e diz que os homossexuais são pessoas doentes e pecadoras.

Sua Santidade o Papa Bento XVI desce do seu pedestal e afirma que as almas por baptizar irão certamente arder no inferno.

Sua Santidade o Papa Bento XVI ergue-se no seu sagrado púlpito e ordena cardeal um padre britânico que duvida do Holocausto.

Sua Santidade o Papa Bento XVI digna-se a viajar a África e declara que a calamidade da SIDA não se combate através do uso do preservativo.

Sua Santidade o Papa Bento XVI é uma besta de merda...

Lest we remember

Há noites que marcam, que nos tocam de uma forma da qual não nos podemos dar ao luxo de esquecer. Noites em que tudo se aproxima e se conjuga da melhor das formas em circunstâncias quase oníricas. Desta, farei por reter em mim aquelas animadoras e incisivas palavras que absorveram tudo por completo, fazendo com que uma refeição acabasse (mais uma vez) totalmente desprezada. Porém, de outra forma não poderia ter sido, pois "aquela menina de olhos castanhos" terá sempre um dom especial para cativar a minha atenção. Após tão acalentado inicio de noite, que valeu apenas pela companhia, seguiu-se o sôfrego, ansiado e estupidamente adiado reencontro. Nada comove mais do relembrar saudades e nada sabe melhor do que matá-las de uma vez. Foi avassalador e o mais incrível foi não ter acordado de nenhum sonho. Para meu gáudio voltei finalmente a abraçá-la e apercebi-me de que nada havia mudado, estava ainda lá tudo: a mesma conversa, o mesmo sorriso, a mesma intimidade... que saudades... Ainda meio zonzo, dou por mim a caminho de um concerto que se antevia memorável, não fosse este um serão a cargo dos irredutíveis Dazkarieh, a prova viva de que há esperança para a música lusófona, sem que para isso haja necessidade de delírios de grandeza. Melhor do que os sons hipnotizantes que aconchegavam a atmosfera, era o prazer que sentia em partilhar tal momento com duas pessoas tão especiais. Finda-se o concerto e sobra tempo para uma bebida fresquinha à base de malte e cevada cujo o nome permanecerá uma incógnita, e lá se arrasta cada um de regresso a casa, mas no meu caso com o espírito por demais saciado.

Para a C. - É magnífico voltar a ter-te. Não esquecerei a nossa promessa...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

The Kings of Christian Rock (Hallelujah)

Ora, esta história está mesmo(!) desactualizada, contudo, somente hoje tomei conhecimento dela, portanto garanto-vos que a minha indignação é realmente actual...

Era uma vez no Mundo do "Metal Pesado"...

...Uma grande besta chamada Dave Mustaine, que ganhava a vidinha como líder dos Megadeth. Esta amorosa banda construiu o seu nome na segunda metade dos anos oitenta e viria a conhecer um tremendo pico de popularidade durante os aos noventa. No entanto, como tudo na vida, nada dura para sempre, e no final de século lá começaram a sentir aquelas dificuldades do costume para este tipo de grupos. Músicos despedidos e contratados em catadupa, problemas com substâncias ilícitas e em última instância o término da banda (pelos menos durante alguns meses enquanto durava a reabilitação). Depois de tão atribulados anos, eis que surge um Dave Mustaine totalmente recuperado e desta vez em versão "newborn christian". Ninguém ficou muito surpreendido, pois afinal de contas ele é um americano, e todos nós sabemos o que isso pode fazer a uma pessoa... E actualmente, lá anda o nosso amigo cheio de convicções cristãs a tentar recuperar alguma glória do passado. O feitiozinho de merda continua o mesmo, mas como o pio senhor de quando em vez consegue fazer uma música menos má, o pessoal lá lhe vai perdoando...

Por sua vez, enquanto os Megadeth enchiam arenas durante a década de noventa, no outro lado do atlântico, mais precisamente na Grécia, uma banda underground esfolava-se para conseguir algum reconhecimento, banda essa que dava pelo polémico nome de "Rotting Christ". Como podem adivinhar com nome um de tal forma encantador, os R.C. estavam condenados a gerar controvérsia, quer quisessem quer não. A prova disso mesmo ocorreu a meio de uma digressão em território Americano, quando um sábio e respeitado senador se insurgiu contar a pequena banda, acusando-os de satanismo e outros afins deveras divertidos, e que terminou com a banda a cancelar várias datas da digressão. O mais irónico do meio de tudo isto é que, ao contrário de muitas outras de bandas de metal, os R.C. não tinham uma temática satânica, preferindo produzir letras abstractas que nada têm a ver com religião. Com muito esforço e suor estes músicos gregos lá alcançaram um dos mais difíceis objectivos de qualquer banda underground: conseguiram um contrato discográfico extenso e, graças à sua originalidade e singularidade, tornaram-se num dos grupos emblemáticos do metal europeu (pode-se dizer que se viram gregos para lá chegar). Resta então a pergunta: e que relação há entre os dois?

Pois bem, no ano de 2005 Megadeth agendaram um concerto em Atenas, e como é costume neste género de eventos, para a abertura das hostilidades escolhe-se uma banda nacional de renome. Resultado: convidaram-se os R.C. Estava tudo bem preparadinho para um agradável serão de música reconfortante, quando, para surpresa de tudo e de todos, o menino Mustaine informa os promotores que os Megadeth não actuarão nessa noite, caso os R.C. sejam a banda de abertura. Ao que parece o Sr. Mustaine é uma pessoa de forte fibra moral e um tal espectáculo seria uma agravada ofensa as suas elevadíssimas crenças cristãs... E qual foi a consequência disto? Mandou-se o peixe graúdo para casa e deixaram o menino Mustaine ficar com o doce.

Era exactamente o que Mundo mais precisava, mais um falso moralista com ares de grandeza... Pior do que esta tendência dos americanos de se tornarem devotos quando a vida vai mal (independentemente de se terem 'tado a cagar para isso uma vida inteira!), é esta imagem de superioridade que lhes permite apontar o dedo e julgar os outros. Por sua vez, o Dave Mustaine pode ter sido um headbanger durante uma parte da sua carreira, mas daqui para a frente será apenas aquilo que sempre foi: uma besta!

domingo, 25 de janeiro de 2009

Matéria Negra

Uma cadência sonora abismal, uma distorção anacrónica e um ruído branco ululante no éter em tom de acompanhamento. O vórtice sonoro espanta-nos ao mesmo tempo que nos atrai, como se de algo alienígena se tratasse. Uma vez nele embrenhados somos transportados para mundos oníricos de brumas e ferrugem, de escuridão e metais ardentes. Nesse abismo para além da barreira de som e do ritmo hipnotizadoramente macabro, jaz a ameaça xenomórfica, o parasita que nos devora as entranhas.


"Useless climate, staring at me,
Yearning to be free.
The Unpredictable sense of a short road.
An epidemic that comprehends"

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Taxifahrt

Sem a mínima predisposição para esperar quase uma hora pelo cacilheiro da meia noite e vinte, tomo a brusca decisão de apanhar um táxi até Almada. Como não sou capaz de viajar sozinho no banco traseiro e porque meter conversa faz parte da experiência, em poucos minutos já o taxista começou a contar a história da sua vida, ao ponto de se enganar na saída para a ponte. A meio do caminho lá se lembra de perguntar: "Então e o senhor o que faz?", "Sou tradutor" - respondo eu. "Ora bem, uma profissão bastante útil". Esboço um sorriso, mas no fundo fico a matutar: simpático ou condescendente...?

Ode Disléxica

Não há nada melhor do que matar saudades, principalmente quando se trata de alguém de quem realmente gostamos. Retidos na memória ficam o restaurante tipicamente português no poético Bairro Alto, uma farta refeição e uma bela garrafa de vinho tinto: o perfeito acompanhamento para uma prazenteira noite na companhia de uma pessoa que tanto admiro. Acredito piamente que o profundo grau de introspecção, assim como o nível de abstracção da interminável conversa serão fonte de abundantes comentários por parte dos empregados da casa, de estranhar se porventura tal fosse novidade. Atravesso o rio e chego a casa saciado, não por causa da refeição, mas devido à deliciosa e interminável tagarelice temperada com fundamentados argumentos e bonitas questões. Tudo isto cortesia "daquela menina dos olhos castanhos".

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O meu gato queimou-me a bíblia

Com ânsia e aflição procurava eu por toda a casa. Mas afinal de contas por onde andaria ela? O Domingo aproximava-se como um furacão vagaroso, o que significava que já não me restava muito tempo para preparar os meus textos e orações, mas para tal era imperativo encontrar a minha Bíblia primeiro. Gostava de levar os textos preparados com antecedência para melhor compreender a mensagem do sermão do senhor padre, e por outro lado, tinha uma tendência diabólica para me esquecer que nem um amnésico das orações que apenas tive oportunidade de praticar todos os Domingos nos últimos vinte anos. Era pois crucial encontrar o sagrado livro. Procurei, procurei, procurei. Nas estantes, nas gavetas, nos armários, na dispensa ao pé dos Kellogs e na casa de banho por debaixo do banco onde me sento a cortar as unhas dos pés. Mas por mais que inspeccionasse o apartamento não encontrava aquilo que realmente queria. De repente vem-me ao nariz o cheiro a fumo, desato a correr na sua direcção e deparo-me com o meu gato a queimar a minha bíblia com gasolina enquanto se ria à gargalhada:
"Olha 'pra essa merda. Como é que eu vou rezar agora, és capaz de me dizer...?"
Em jeito de resposta o formoso felino rebola-se no chão segurando a barriga com as patas dianteiras e rindo-se de forma estridente.
" 'Tás-te a rir mas não és tu que vais aturar o aselha do padre amanhã. Como raio é que eu vou agora adorar o Divino? As vizinhas vão dizer que eu não percebo nada destas coisas de igreja e o caraças..."
O bichano recompõe-se lentamente, senta-se bem direito e olha-me nos olhos com um sorriso no focinho:
"Estás mesmo à espera que responda, certo?" - disse o meu gato.
"Ora então, pois claro."
"Nesse caso ouve com atenção: essa tua acepção de crença mais não é do que uma metástase onírica desprovida de discernimento, um oxímoro se preferires. O seu efeito limitado a uma corrida sem meta para nenhures. Entendes-me?"
Segue-se um momento de complacente e desconfortável silencio.
O bichano sacode as orelhas: "E então, não dizes nada?"
"Estou seriamente a pensar em abandonar-te..."
"Pois, avisa-me quando isso for novidade..."